Irmã Dulce: primeira santa brasileira

O Vaticano anunciou hoje a canonização de Irmã Dulce, a primeira santa brasileira. Tive o prazer de conhecê-la, estive no hospital que ela construiu, em Salvador, para atender a população carente. Aonde todos viam um galinheiro a Irmã Dulce percebia um hospital. Com um sonho no coração e uma ideia fixa na cabeça, essa baixinha determinada, corajosa e perseverante conseguiu mudar a vida de milhares de pessoas.

Em 2003, tive o prazer de contar sua história no livro “Você é do Tamanho dos Seus Sonhos”.

Determinação, dinamismo, obstinação, capacidade de trabalho e talento gerencial típicos de um alto executivo também não faltaram a uma jovem freira baiana de aparência frágil. Essa realizadora de sonhos surpreendeu a todos às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, nascida em maio de 1914, abraçou a vida religiosa aos 20 anos e tornou‑se a Irmã Dulce. Em vez de apenas rezar no convento, pediu autorização à Madre Superiora para abrigar os doentes recolhidos das ruas de Salvador no antigo galinheiro anexo ao convento. Do galinheiro fez um hospital. E do hospital iniciou uma das maiores obras sociais deste país.

Esse foi o ponto de partida para a formação do Complexo Assistencial do Largo de Roma. Mesmo após a morte de Irmã Dulce, em 1992, suas obras assistenciais seguem de vento em popa, sob o comando da sobrinha, que herdou seu nome, Maria Rita Pontes. São vários núcleos de atendimento com instalações modernas, mais de mil leitos, quase 2 mil funcionários, mais de quatrocentos médicos, trezentos residentes e trezentos voluntários. Todos os dias mais de 4 mil pessoas são atendidas gratuitamente. O antigo Cine Roma, onde ela construiu o Círculo Operário, em 1948, está se transformando na Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, um santuário para perpetuar a memória de Irmã Dulce. Seu processo de beatificação foi encaminhado à Santa Sé pelo frei italiano Paolo Lomardo.

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