O poder do batom.

A incorporação da inteligência feminina no processo decisório das empresas como fonte de vantagem competitiva tem sido um dos argumentos mais freqüentes  quando se analisa formas de aumentar a competitividade das empresas.

Aprisionadas por uma cultura empresarial onde predominavam crenças como “Você é pago para fazer e não para pensar” ou “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”, as empresas da Era Industrial desperdiçaram o potencial da competência feminina, confinando-a a tarefas rotineiras e subalternas, na obsessiva busca da economia de escala.

Acontece que na Era dos Serviços na qual vivemos, a matéria prima básica é a imaginação humana, a criatividade, a inovação. As empresas que desejam sobreviver nesse novo cenário não podem mais prescindir do emocional das pessoas e contar apenas com seu lado racional no dia-a-dia do trabalho.

O compartilhamento do poder decisório com as mulheres no mundo corporativo passou a ser questão de sobrevivência das empresas.

É importante ter em mente que o sexo feminino já é maioria na população de 25 estados brasileiros. As mulheres serão aptas como ninguém a desenhar produtos e serviços capazes de realizar o sonho e encantar essa crescente massa de consumidoras femininas. Essa tendência salta aos olhos nos Estados Unidos, onde cerca de 8 milhões de empresas já são dirigidas por mulheres.

Não se trata de defender uma suposta supremacia feminina na liderança dos negócios. Mas sim da heterogeneidade de percepções que a mistura de sexos proporciona. Uma empresa com homens e mulheres na direção tem uma visão muito mais ampla.

Não é por mera coincidência que em todas as recentes listas das “Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil”, parte considerável dos cargos gerenciais estejam sendo ocupados por mulheres.

Algumas características do universo feminino que, de forma preconceituosa, eram consideradas como fraquezas viraram vantagens no mundo corporativo atual.

Além disso, todos sabemos que as mulheres são mais perseverantes e constantes; são menos imediatistas e mais capazes de raciocinar no longo prazo; sobrevivem melhor em tempos de aperto; possuem maior abertura e flexibilidade para o aprendizado; alta capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Todas essas são características naturais nas mulheres.

Convenceu-se do argumento? Felizmente, o “poder do batom” está se tornando uma realidade.

Felizmente também não se pensa em um “sistema de cotas” para mulheres. O único sistema válido para promover pessoas é o da Meritocracia. Não podemos mais nos dar ao luxo de excluí-las e prescindir da inteligência feminina nas nossas empresas.

E na sua empresa? A liderança feminina já é vista como uma vantagem competitiva?

Por César Souza: um dos mais respeitados consultores sobre gestão, liderança e estratégia. Escritor e palestrante, preside a Empreenda Consultoria. Escreveu “Você é o líder da sua vida”. 

blog.cesarsouza.net

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