OS “DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES” DAS ORGANIZAÇÕES MODERNAS

De todos os deuses da mitologia universal, um dos mais impressionantes é Hércules e a lenda das suas inacreditáveis façanhas. De forma análoga, é isso que quero demonstrar, que os líderes precisam se preparar para os novos tempos e focar em pelo menos “12 prioridades” para construir empresas mais longevas e autossustentáveis.

Hércules, no seu tempo de berço, chegou a estrangular duas serpentes com as mãos. Mais tarde, ele foi condenado a enfrentar e vencer monstros e enormes adversidades. O leão de Nemeia, a hidra de Lerna e o touro de Creta, são alguns deles.

Os “Doze Trabalhos de Hércules” são:

  1. Construir um “Mapa de Geração de Valor”.
  2. Criar uma verdadeira “Fábrica de Líderes”.
  3. Criar uma Cultura de Empresariamento Integrador dos Modelos de Negócios, de Gestão e Organizacional, criando um Modelo de Governança Saudável.
  4. Praticar a Clientividade.
  5. Inspirar muito mais e melhor as Pessoas.
  6. Montar um poderoso “hub” de Parceiros.
  7. Desenvolver a Cultura da Paixão pela Inovação.
  8. Valorizar o Intangível.
  9. Garantir a Excelência na Execução.
  10. Incorporar a Sustentabilidade e a Diversidade ao Modelo de Negócios.
  11. Juntar o Injuntável.
  12. Investir no AutoEmpresariamento.

Abaixo vou aprofundar cada um deles. Mas não se iniba, construa sua própria lista, customizada para sua empresa, a partir dessa provocação inicial.

Quais os maiores desafios que precisa vencer para construir a NeoEmpresa, mais coerente com os tempos atuais?

1º Trabalho de Hércules: Construir um “Mapa de Geração de Valor”.

Não podemos continuar sendo uma empresa que busca “apenas” obter resultados, muito menos com foco no curto prazo. Precisamos entender que o tipo de resultados que nos interessa e devemos almejar é ter Significado que nos permita criar Valor Percebido por cada um dos componentes do negócio da nossa empresa: Clientes, Pessoas, Investidores, Parceiros, Fornecedores, Distribuidores, Comunidades onde atuamos, enfim todas as partes interessadas em torno das quais gravitamos e são a nossa razão de existir.

2º Trabalho de Hércules: Criar uma verdadeira “Fábrica de Líderes”.

Precisamos de líderes de qualidade em todos os níveis, não apenas no topo da empresa. Líderes eficazes, muito mais que gerentes eficientes. Lideres capazes de construir uma Causa e dar Significado a suas equipes. Líderes competentes não apenas em liderar pessoas, mas também em liderar a criação de valor e a conquista de resultados específicos. Capazes de liderar clientes, parceiros e todo o cluster do negócio, indo muito além de liderar apenas dentro das paredes da empresa.  Lideres construtores de pontes, integradores, em vez dos líderes construtores de paredes, feudos e silos funcionais que perpetuam uma visão fragmentadora da realidade. Líderes capazes de garantir substitutos em curto prazo e sucessores no longo prazo, que entendam que o principal papel do líder é formar outros líderes, construindo o “Capital Liderança”, um indicador importante quando for feita uma mensuração do valor de mercado da nossa empresa. Precisamos evoluir e nos libertar dos indicadores tradicionais como turnover, absenteísmo, horas/ aula, homens/ hora, e outras “pérolas” herdadas da Era Industrial. 

3º Trabalho de Hércules: Criar uma Cultura de Empresariamento Integrador dos Modelos de Negócios, de Gestão e Organizacional, criando um Modelo de Governança Saudável.

Temos de buscar um ponto ótimo de equilíbrio entre, de um lado, a disciplina e a ordem necessárias para garantir a responsabilização por decisões e, de outro lado, o grau de autonomia e motivação que desejamos. Não podemos tolerar um modelo de governança que nos engesse nem que afugente os jovens. Também não podemos conviver em clima de desordem e falta de respeito aos nossos valores fundamentais. O desafio dessa “Cultura de Empresariamento” é o de substituir a “Habilidade de Gerenciamento”, típica das burocracias funcionais e fragmentárias da era do comando, baseadas no medo e no controle. 

4º Trabalho de Hércules: Praticar a Clientividade.

Precisamos de uma vez por todas entender que Cliente é responsabilidade de todos na empresa. Entender que não possuímos canais e distribuidores e sim parceiros cujo sucesso é uma das causas do nosso sucesso. Que não podemos continuar pensando em PDVs – Pontos de Vendas, mas em PDCs – Pontos de Compra. Temos de conjugar o verbo Clientar todos os dias e enfatizar que o que nos interessa não é a Produtividade nem a Competitividade, mas a Clientividade, palavra que não existe mas que deve ser a base de sustentação do nosso negócio. Precisamos garantir Solucionamento aos nossos clientes – outra palavra que não existe – mas traduz o que os nossos clientes buscam. Não querem apenas Atendimento e Relacionamento, tudo isso virou obrigação. Querem algo a mais, a solução para seus problemas e desafios. Querem a realização dos seus sonhos.

5º Trabalho de Hércules: Inspirar muito mais e melhor as Pessoas.

Precisamos mudar bastante a nossa forma de liderar pessoas, de exercer nossa atividade na construção de equipes de alta performance. Precisamos deixar de ser “Gestores de Cargos” e passar a customizar o relacionamento com as pessoas, respeitando a sua individualidade, mas sem incentivar o individualismo, estimulando o sentido de equipe. Precisamos desfrutar melhor do potencial de cada um. Gerenciar menos por procedimentos e sistemas e mais olho no olho, cara a cara, caso a caso. Entender que quanto mais sofisticada a tecnologia, maior é a necessidade de contato humano. A tecnologia não deve ser instrumento de afastamento das pessoas, mas um veículo para fortalecer a comunicação e as relações. Temos de aplicar o conceito de customização (utilizado para produtos e clientes) à nossa forma de liderar pessoas. Precisamos identificar, desenvolver e engajar pessoas nos diferentes níveis e áreas que saibam lidar com doses crescentes de ambiguidade e incertezas. Precisamos encorajar cada pessoa a assumir as rédeas do seu destino e da sua vida profissional.

6º Trabalho de Hércules: Montar um poderoso “hub” de Parceiros.

A competição não será mais apenas produto contra produto ou empresa x empresa. A competição se dará entre clusters de partes interessadas no negócio. As empresas vencedoras se diferenciarão porque o crescimento e desenvolvimento dos negócios ocorrem, não mais apenas dentro da empresa, mas “fora” por meio de parcerias, joint ventures, alianças estratégicas, participação minoritária em outras empresas e acordos com produtores de tecnologias, centros de pesquisa e instituições comunitárias e cooperação com instituições de ensino. Esse processo complexo de diferenciação exigirá integração complexa.

7º Trabalho de Hércules: Desenvolver a Cultura da Paixão pela Inovação.

Precisamos criar o hábito da Inovação constante e não apenas espasmódica. Inovação precisa ir muito além do produto e da área de pesquisa e desenvolvimento.  Esta prática deve tornar a empresa tão ágil e capaz de mudar tão rápido quanto a própria mudança e capaz de se reinventar continuamente, sempre nos posicionando e à nossa empresa de forma proativa, em busca do próximo patamar de sucesso. Não podemos continuar afugentando os mais talentosos, os mais criativos e os não-conformistas. Uma empresa tem de ser uma espécie de “Atelier”, um ambiente onde pessoas talentosas ajam como se fossem parte de um elenco de artistas, onde sintam prazer em criar, inovar, colocar seu talento a serviço dos nossos clientes, parceiros e demais partes interessadas.

8º Trabalho de Hércules: Valorizar o Intangível.

Pertencemos a uma geração que foi educada com base na gestão dos tangíveis – capital, estoques, equipamentos, instalações, processos produtivos, tecnologia. Ter competência nesses fatores continua necessário, mas não é mais suficiente. O diferencial das empresas vencedoras está no empresariamento dos intangíveis – confiança, ambiente de trabalho, relacionamentos, cultura, inovação, marca, reputação. Precisamos aprender a valorizar o intangível sem prejuízo da excelência dos tangíveis. Não se trata de substituir um pelo outro, mas de introduzir a dimensão intangível (o moderno) no tangível (o eterno).

9º Trabalho de Hércules: Garantir a Excelência na Execução.

Nossa maior dificuldade tem sido na execução das nossas estratégias e planos e não na concepção da Estratégia. Precisamos de um novo conjunto de atitudes para transformar nossos sonhos em realidade. Temos de nos antecipar aos acontecimentos, criar os fatos e promover mudanças proativas, por meio de rupturas construtivas que nos elevem a outro patamar.

10º Trabalho de Hércules: Incorporar a Sustentabilidade e a Diversidade ao Modelo de Negócios.

Não podemos mais nos dar ao luxo de tratar a Sustentabilidade e nossas responsabilidades ambientais, ecológicas e sociais como mera declaração de intenção que se repete ano a ano, principalmente no tempo das vacas gordas. Precisamos incorporar a sustentabilidade no dia a dia da empresa, de forma que nossas práticas se tornem um ativo intangível, monetizado na valorização da empresa. A Sustentabilidade precisa fazer parte do nosso Modelo de Negócios e da nossa Cultura. 

11º Trabalho de Hércules: Juntar o Injuntável.

É chegada a hora de apostar na convergência. Além de associar o intangível ao tangível, precisamos compatibilizar outros aparentes paradoxos: o curto e o longo prazo; a eficácia e a eficiência operacional; a alta diferenciação e o baixo custo; as gerações X e Y.

12º Trabalho de Hércules: Investir no AutoEmpresariamento.

É fundamental mostrarmos coerência entre o que dizemos e o que fazemos. Precisamos inspirar os outros pelo exemplo e garantir harmonia nas diferentes dimensões da nossa vida: profissional, familiar, pessoal, espiritual, cidadania. Temos de exercer nosso papel de Homo Curiosus e aperfeiçoar nossa capacidade de aprendizagem. Mais que Era do Conhecimento, vivemos na Era da Aprendizagem. Não podemos ter a ilusão de que sucesso e felicidade consistem em não ter problemas. Na realidade, à medida que amadurecemos, os problemas não desaparecem. Aumentam até de complexidade. Ter sucesso e felicidade na realidade é sentir-se preparado para enfrentar desafios que serão crescentemente complexos.

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