Momento ruim da economia é boa oportunidade para empreender – O Novo

 

Luiz Eduardo Guedes se apaixonou por café em 2014, ao mesmo tempo em que se apaixonava por sua namorada. No final do ano passado, o administrador decidiu investir nas duas paixões e começou, com o apoio da companheira, a vender variadas receitas de café em uma bicicleta. O Florêncio Café surgiu há três anos nos planejamentos do administrador de 33 anos e há nove meses nas ruas de Natal no meio de uma das maiores crises econômicas já enfrentadas no país.
“Eu sempre tive o desejo de empreender e abrir um café, mas eu via que o momento era muito incerto por causa da crise política e a ameaça de uma crise econômica que viria a estourar. Como eu sabia que os custos de uma cafeteria eram altos, pensei em utilizar uma bicicleta, que seria algo novo e criativo e eu conseguiria colocar com um custo baixo”, conta Luiz Eduardo. A inovação é um dos diferenciais para os empreendedores de sucesso neste momento de recessão.

César Souza, fundador do grupo empreenda: aposta agora deve ser em novas formas de se relacionar e fazer comércio, investindo em lojas virtuais e prestações de serviço diferenciados

O fundador do Grupo empreenda, responsável por realizar consultorias empresariais, César Souza, afirma que “o varejo e o comércio também estão em crise. A aposta agora deve ser em novas formas de se relacionar e fazer comércio, investindo em lojas virtuais e prestações de serviço diferenciados”.

“Eu não quis simplesmente vender café, queria fazer delivery e como há a dependência de haver eventos para levar a bicicleta, decidi movimentar as redes sociais e tem dado certo. A gente já tá no terceiro lote, que foi o dobro do segundo, no começo tive medo de não vender, mas em um mês os produtos esgotaram e já recebi novos pedidos”, explica Luiz Eduardo.

O Florêncio Café conta com um menu que vai desde o tradicional espresso a drinks alcoólicos servidos com uísque, mas uma das principais novidades é o café gelado, feito a partir da bebida tradicional com gelo e água tônica. “Muita gente elogia a qualidade do nosso grão. Nós compramos de um produtor pioneiro em cafés especiais, que tem classificação diferente no mercado. É um produto feito para exportação”, conta o proprietário.

Apesar do sucesso do charme da bicicleta e a popularidade da segunda bebida mais consumida no Brasil, o vendedor de café não abriu mão do seu outro emprego como administrador de uma construtora. “Não quis me desfazer dessa minha outra atividade justamente por causa da crise. Como ainda estou validando minha ideia e comecei um investimento alto com baixo custo, não quis arriscar tudo”, explica.

UMA SAÍDA PARA A CRISE

O gerente da unidade de acesso a mercados do Sebrae, David Gois, relata que na crise muitas pessoas decidem empreender após ficar desempregada, “uma das principais dificuldades é abrir um empreendimento por necessidade, que precisa proporcionar rendimento em curto prazo, porque exige um planejamento para conseguir uma permanência no mercado. Sem preparo, as dificuldades são potencializadas”, afirma.

David Gois, gerente da unidade de acesso a mercados do Sebrae/RN: “Ao invés de procurar emprego, procure clientes”

Os altos índices de desemprego se tornaram uma realidade para o brasileiro desde 2014 com o início a crise econômica. Já são quase 14 milhões de trabalhadores que enfrentam essa situação no país, segundo o IBGE. De acordo com dados divulgados em maio pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) Contínua, o Rio Grande do Norte atingiu a marca de 250 mil pessoas desocupadas no primeiro trimestre do ano, maior taxa de desemprego desde 2012, quando a pesquisa começou a ser aplicada.

Em busca de uma alternativa, muitos profissionais têm apostado no empreendedorismo. Segundo uma pesquisa realizada pela Randstad WorkMonitor, 67% dos brasileiros gostariam de abrir seu próprio negócio. “Ao invés de procurar emprego, procure clientes” é a recomendação de César Souza consultor empresarial. Em meados de 2016, em pesquisa realizada pela Receita Federal, o RN já contava com quase 80 mil microempreendedores individuais de diversas áreas de comércio.

No entanto, empreender não é algo tão simples. “É um bom momento para quem tá desempregado e tem ideias ousadas e inovadoras, mas tempos de crise também representam menos clientes e menos crédito”, explica César Souza. O Indicador Serasa Experian registrou em maio um recorde histórico de 61 milhões de consumidores inadimplentes em todo o país.

Para quem se interessa pelo empreendedorismo, a recomendação é estudar. David Gois, do Sebrae, recomenda que “buscar informações gerenciais e sobre o mercado é o investimento mais barato que o empresário vai fazer. Pesquisar, se capacitar, visitar concorrentes, conversar com potenciais clientes, conhecer outras experiências dentro e fora do estado e procurar uma orientação especializada são algumas são alguns conselhos que diminuem o risco na abertura de um novo negócio”.

Foi exatamente o que Luiz fez antes de abrir o seu café. “Quando comecei com a ideia, o meu investimento mais importante foi nos estudos. Fui pra São Paulo numa viagem de férias e consegui fazer cursos especializados em café, aqui em Natal fiz um curso de barista com um fornecedor local, mas também pesquiso muito a respeito do produto, compro livros, assino revistas do mercado, acompanho influenciadores, eu vivo num aprendizado constante e isso é importante porque me dá propriedade pra falar sobre o café”, conta ele.

Apesar das dificuldades, Luiz conta que abrir um negócio próprio tem sido muito satisfatório. David Gois endossa o discurso e afirma que empreender proporciona “autonomia para gerir o seu emprego, pensar processos diferentes, ter o controle da sua vida, poder fazer planos, definir metas, não receber ordens, ser dono do seu destino e seguir de acordo com a sua vontade”.

Em 2018 deve chegar a Natal uma franquia do “Espaço empreendedor“, uma rede paulista que investe em desenvolvimento e crescimento de micro, pequenas e médias empresas brasileiras. A filial pertence ao Grupo empreenda e já possui 3 candidatos interessados na capital potiguar.

Leia artigo na integra direto no portal O Novo: http://www.novonoticias.com/economia/momento-ruim-da-economia-e-boa-oportunidade-para-empreender

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