Passaporte para o futuro: há vida pós-Covid-19

Chegou a hora do Chief Executive Officer (CEO) atuar como Chief Reinventing Officer (CRO) da sua empresa e liderar uma reflexão estratégica sobre o futuro do negócio, se dedicando às questões essenciais para assegurar viabilidade, rumo e sustentabilidade do mesmo.

Não adianta ficar refém das circunstâncias, especular sobre incertezas e tampouco, optar pelo muro das lamentações ou procurar bodes expiatórios. Precisamos voltar a sonhar com o futuro do País, das empresas, das famílias e da nossa carreira.

Já está superada a primeira onda de providências emergenciais, quando CEOs atuaram como “Chief Emergency Officers”, nas semanas iniciais da pandemia, para garantir a saúde e segurança dos funcionários da empresa. Neste momento, já deve (ou deveria) estar em execução a segunda fase do combate, em que a maioria dos líderes empresariais desempenha o papel de “Chief Equilibrist Officers”, estágio da metamorfose da sigla ‘CEO’ que demanda das lideranças foco na instalação dos Comitês de Crise e governança, visando a sobrevivência a curto prazo do negócio.

Tem sido muito importante arquitetar ações que impactam além dos colaboradores – clientes, fornecedores, investidores e comunidade, entre outros stakeholders do negócio –, iniciando a implantação das providências legais, financeiras e organizacionais, bem como de infraestrutura e comunicação inerentes a esses diversos públicos. Se sua empresa ainda não tem esse processo em pleno andamento, corra porque sem o cumprimento dessa etapa o contingenciamento da crise pode ficar comprometido de forma irremediável.

Agora, cada empresa, sem exceção, vai precisar fazer uma profunda reflexão estratégica sobre seu futuro. Qual rumo seguir? Qual negócio deve ser foco daqui em diante? De qual negócio ou investimento é melhor sair? Quais oportunidades inexploradas precisamos identificar? Quais as novas características dos nossos clientes, distribuidores e revendedores? O que os clientes passaram a valorizar? Nosso modelo atual de estrutura, gestão e perfil de pessoas continuará sendo o mais adequado, após todos os “experimentos” advindos da quarentena? O que pode ser terceirizado ou feito de forma mais flexível e eficiente a partir de agora? Como aumentar nossa eficiência operacional após essa verdadeira “experiência de guerra”? Como blindar a empresa da vulnerabilidade geográfica para garantir o fornecimento dos seus insumos essenciais, sem os quais o negócio correrá o risco de voltar a paralisar? Quais as novas prioridades para fecharmos 2020? Quais sementes precisamos plantar, desde já, para o biênio 2021-22?

Todos esses questionamentos são cruciais porque não podemos dirigir uma empresa olhando pelo espelho retrovisor. É importante manter o olhar à frente, pois “há vida após o Covid-19”, como tem enfatizado Vittorio Danesi, incansável e inspirador líder da Simpress. Hora de virar o jogo! Por isso, temos de pensar em reinventar as empresas. Essa reinvenção virá por meio da inovação, que será a palavra de ordem no caminho do futuro. Só com muita criatividade será possível curar nossas empresas dessa crise e reinventar nossos negócios, aproveitando as oportunidades ainda não percebidas por todos.

Chegou o momento de pensar e agir fora caixa, longe do conforto do status quo. Afinal, várias das nossas convicções e paradigmas, que embasaram diversos planejamentos de negócios, foram corroídos pelo vírus e precisam ser descartados. Não estamos atravessando apenas uma “época de mudanças”, mas sim uma “mudança de época”. A história empresarial contemporânea será dividida em dois períodos: Antes do Coronavírus (ACV) e Depois do Coronavírus (DCV).

“Se a transformação digital era inevitável, agora é questão de sobrevivência. Muda ou morre”, como tem sentenciado Alexandro Barsi, fundador e CEO do Verity Group.

Nesse momento de brusca transição, o líder não pode se esconder nem esperar. Precisa protagonizar o necessário turnaround, com roteiro muito claro da agenda, estabelecida a partir de profundo realinhamento, sinergia, integração e compromissos pactuados entre acionistas, dirigentes e gestores da empresa, além dos demais stakeholders do seu ecossistema.

Esse quadro complexo desafia todas as empresas, independentemente do setor de atuação, e colocar esse processo em movimento é imperativo. Com organização e foco, é possível liderar o endereçamento das respostas necessárias. Na continuação deste texto, na próxima coluna, serão trazidas à tona as questões essenciais que compõem o roteiro dessa reflexão estratégica. Não perca!

* César Souza é o fundador e presidente do Grupo Empreenda, consultor e palestrante em Estratégia Empresarial, Desenvolvimento de Líderes e na estruturação de Innovation Hubs. Autor de “Seja o Líder que o Momento Exige”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *